Vixe! Lá se vão 10 anos…

10 anos sem Paulo Bottós, Paulo Macedo, Paulo, o Hilário, Paulo, o Louco, Paulo, o Amigo, Paulo, o “Cumpade”…

Quanta saudade! Imensa gratidão…

Presença insólita, única, múltipla em sua grandeza e genialidade.

Cara, que falta você faz…

Nossa grande referência. Um Mestre da Irreverência, do Exagero, da Ousadia, meio Odisséia, meio Pirata do Caribe.

O Pai Artístico, o Pai Amigo e Amoroso do meu filho Giuliano. Por isso me chamava “Cumade”, e lhe sou eternamente grata por isso.

Trabalhador incansável das artes e da educação, vivIa em meio a seus projetos, ideias, personagens, eventos, ações, fazendo amigos e fazendo inimigos também, como compete e é padrão a quem se expõe.

Teve humildade suficiente para em vida reconhecer suas falhas, fragilidades, fraquezas, que escondiam profunda sensibilidade e singeleza. Sua peculiar personalidade e genialidade.

Este é Paulo para mim. Um amigo/irmão que se arriscou ao extremo em sua busca existencial, reconhecendo, quando me informou sobre sua doença, “estou pagando o preço dos meus excessos.”

Até hoje amo-o do fundo do coração. Sua essência criativa e criadora está fecundando e inspirando universo afora, espalhando centelhas como as que ainda estão em mim.

Como referência que foi, que é, representa para mim todos os seres que amei, e amo, e partiram para o nunca mais por aqui… até um dia por lá… Tantos e tantas queridos e queridas…

E de repente já se foram 10, 20, 30…

Vida que segue…

Para finalizar, quero registrar um fato acontecido que ilustra, para mim, quem era esse cara.

Ele deixou claro seu desejo de que seu corpo fosse cremado e suas cinzas lançadas no Rio Paraná, em Santa Fé do Sul, SP, na divisa com o Mato Grosso do Sul, lugar onde nasceu e que amou por toda sua vida.

Um dia recebo o aviso da Missa de Sétimo Dia para Paulo Bottós. Fui atrás para saber quem organizava, pois ele podia ser tudo, menos católico apostólico romano.

Enfim, não fui, porque entendi que este rito não homenageava meu amigo em sua essência póstuma.

No dia seguinte soube que havia muito poucas pessoas presentes na igreja, e que a missa foi interrompida por moleques que passavam por lá naquele momento e jogaram bombinhas dentro do recinto em pleno mês de setembro…

Este o espírito do meu amigo Paulo, o debochado, o bufão clownesco, divertido, criativo, inesperado, surpreendente, amoroso, que adorava ver pessoas rindo à sua volta.

Dias depois preparamos, seus amigos e amigas e família, verdadeira caravana até Santa Fé do Sul, às margens do Rio Paraná para nossa despedida.

No fim da tarde um lindo ritual onde uma jangada repleta de flores e cinzas foi empurrada até o meio do rio por seus amigos mais chegados, entre eles, meu filho Giuliano. O sol se pôs mais uma vez para Paulo Bottós, lindamente, em silêncio e contemplação enviamos luz e nossos melhores desejos para Paulo, o místico, o sábio, mestre e discípulo, o artista.

Não pude resistir ao desejo imenso de lembrar desse cara nesse momento… Apenas para homenagea(u)-lo, Paulo… Para não perder a rima… Até ouvi sua gargalhada gostosa… E exagerada…

“Pra cima de mim? Só lingerie… Força na peruca cumade”…

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