Todo dia me despeço de mim

despetalando como uma flor no jardim,

transformando-me em rosa, girassol, jasmim…

Amando-me em frondoso flamboyant

que úmido brilha na manhã.

Quando meu coração vê, sorri.

Todo dia é um dia a mais…

É como ganhar um presente

poder olhar os meus pais,

saber que estão bem os irmãos,

ouvir a voz dos meus filhos,

sorrir com a conquista dos netos…

Eu ausente…

Sem corpo no espaço, sina diferente…

A distância por si só é despedida

mas não mata sentimento consistente…

Abre sim, não tem jeito, uma ferida

que lambo no banzo me lambuzando,

me permitindo, me deleitando…

Boas lembranças alimentam o afeto,

bem como também a saudade

 reforçando o sentimento de missão cumprida.

Dão conta da inteireza do trajeto.

Todo dia desapego de cabelos, pelos,

dentes, unhas, células que se renovam…

Desatando nós, ressignificando elos

enquanto sinos do fim da estrada

ressoam em meus ouvidos…

Vida… Tão bela… Mistério que vejo…

Morte… Silêncio absoluto!… Mistério que não vejo…

Mas sinto. Diante dela não minto.

À sua frente não sou ninguém….

Continuo em moto contínuo nesse vai e vem…

Desapego de pesos… Finalmente me atrevo!…

QUER SABER MAIS SOBRE ISIS DE CASTRO, ACESSE:

Isis de Castro

QUER SABER MAIS SOBRE TEMPO DE ESCOLHA, ACESSE:

Sobre

 

Comentários

Comentários