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Outro dia ouvi minha neta dizer para sua filha pequena:

– Nossa, como você parece com minha avó! Olha que linda! Canhotinha e adora escrever poesias, como ela. Ela ia adorar te conhecer.

A menina olha para ela com olhos doces, lembrando da própria avó, e pergunta:

– Onde ela está mamãe?

– Ela partiu. Está lá do outro lado. Mas, sabe, às vezes sinto a presença dela. Quando era da sua idade ela foi embora  e eu sentia muitas saudades. Punha uma roupa dela na minha boneca e dormia abraçada para sentir o cheirinho dela.

Do outro lado, ouvi com largo sorriso, coração cheio de amor. Rolou uma lágrima. Saudade é emoção molhada.

Pegou meu livro, de capa gasta, abriu e leu alto: “Olho meus netos e tenho de crer, sou avó! Eles, puros rebentos, são extensão da vida. Ao vê-los a mais sutil ternura me inspira porque em plenitude ali estão, em total inocência. Vejo meus filhos refletidos neles, vejo a mim mesma a partir do que gerei. A cadeia perfeita da existência. Não há como negar. Diante deles apenas o amor prevalece. Não mais interessam as batalhas insanas, os ciúmes mesquinhos, desentendimentos vãos. Abro-me inteira quando eles me vêem, acorrem e estendem as mãos.”

Voltou seus olhos úmidos e saudosos e pude ver o seu amor.

E pronto! Acabou.

 

 

LONGE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE – Richard Bach

 

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