Resultado de imagem para mãe passarinho

A primeira vez que prestei atenção nela foi durante o horário de visitas dos familiares aos pacientes.

Recém-chegada àquelas novas paisagens, ainda me habituava àquelas paredes e portões, rostos e corpos diferentes dos que eu estava habituada.

E ali, naquele pátio entre colunas, destacava-se sua figura.

Não que fosse grande, ao contrário, era pequena, mas como todos estavam sentados, ali estava ela, em pé e sorridente, com sua boca sem dentes, seus olhos brilhantes e seu amor abundante.

Diante dela um homem sentado, visivelmente com retardo mental grave e uma postura que considerei um tanto “embolada”, em forma de bola.

Ela ia falando com ele coisas que eu não ouvia, apenas via sua dança no ar e sentia seu amor enquanto abria sua sacolinha, tirava uma banana, descascava calmamente e cortava pedacinhos que punha na boca do seu filho, como fiquei sabendo ouvindo comentários dos colegas.

Ele, placidamente, sentado de boca aberta olhando para ela, ouvindo aquele canto que fluía dela ali pertinho dele, entregue ao carinho e afago da ação e da voz da sua mãe.

Ali eu soube que João era paciente crônico em tratamento, residindo no hospital há muitos, muitos anos.

Sua mãe, muito humilde e sempre risonha, mora longe, mas nunca falta às visitas nas terças, quintas e domingos.

Aquela cena que assistia enquanto ouvia breves relatos sobre aquela insólita dupla foi suficiente para criar profundo respeito e admiração por aquela mulher que, na sua simplicidade e alegria espontânea me ensinava sobre aceitação, amor incondicional, gratidão, pois era notável sua gratidão ao hospital por cuidar do seu filho.

João tem problemas sim, seu quadro não tende a melhorar, não tem autonomia, gosta de pouca roupa e ficar sentado no chão como uma bola, a atitude corporal mais rigidamente defensiva que já vi.

Depois, aprofundando na história, conhecendo e recebendo o abraço apertado e afetuoso daquela Mãe Coragem, é possível entender melhor o que acontece no corpo daquele homem-menino-passarinho.

E, com profunda compaixão, desejar que, na forma dele entender o mundo, receba o carinho de alguém que não sabia da sua existência e da sua trajetória, mas apenas olhando sua mãe amando-o incondicionalmente, aprendeu a amá-lo também.

Salve João! Salve sua Mãe! Salve os verdadeiros heróis e heroínas do nosso povo!…

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