Manifesto que eu, Mulher Velha, tenho o dever de olhar para mim e me encantar.

Sou um milagre vivo, com saúde, caminhando na vida.

Perceber o que supostamente “perdi”, conforme os padrões da “eterna juventude” com que as pessoas teimam em se enganar, e o que efetivamente “ganhei”.

No espelho grita a queda do cabelo. Saudade dos meus longos cabelos cacheados, elogiados, tratados com muito cuidado, de que tinha tanto orgulho…

Hoje os cachos permanecem, bem menor quantidade e volume, embranquecidos. No espelho percebo uma nova estética, com sua beleza própria, a beleza da idade avançada. De quem vive mais e sai da caixinha, cria sua própria cara e corpo agora com nova dignidade.

O registro físico mostra quanto andei e quem sou hoje. Fruto de minhas escolhas. Sabedoria construída dia a dia.

Vejo as rugas e leves olheiras dos meus cansados olhos verdes, que gostam dos elogios que recebem, mesmo hoje com suas pálpebras levemente caídas e restinhos de sobrancelhas grisalhas, e percebo o horizonte que se estende diante de quem crê que só o caminhar incessante é capaz de vislumbrar.

Minha boca vincada por “bigodes chineses”, cujos lábios enrugam quando os contraio para um beijo, deixaram as palavras ácidas, críticas e julgamentos para trás e agora falam de amor, perdão, solidariedade, compaixão, empatia.

Minhas ex-orelhinhas, que começaram a crescer mudando a silhueta do rosto, conseguindo ouvir tão longe quanto as batidas do coração. Meu pessoal e único tum-tum-tum.

Minha pele, minha face, minha testa, meu nariz, meu pescoço, mudam todo dia e o espelho me mostra que estou velha.

Esta é a boa notícia.

A irreversível e sensível jornada da vida cumpre-se em mim, em você, nas plantas, nos animais, nos minerais, nos elementais, tudo vive, tudo morre, tudo se transforma.

 Somos pura expansão e resiliência.

Somos energia.

E a beleza manifesta é plenitude de presença no aqui agora.

Amo ser velha. É um privilégio. Espero que chegue aqui também. E valorize sua conquista.

“A pessoa que vive sem o perigo não vive absolutamente. Viver perigosamente é a única maneira de viver.” (Osho)

Viver é perigoso demais, efêmero demais para desperdiçar tempo e oportunidades…

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz…” (Gonzaguinha)

Espada no coração…

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