Creio firmemente que uma das coisas mais importantes da vida é a ACEITAÇÃO.

Ao receber essas fotos dessa maravilhosa e sensível mulher fotógrafa, Andréa Silveira (@andreamarolisil), que está realizando um registro incrível de mulheres, e, para minha alegria, me incluiu, uma profunda alegria me envolveu pela singeleza do presente, onde pude me ver envelhecendo linda. Como minha mãe. E pude ter uma nova dimensão de mim, mostrada por alguém que acaba de me conhecer.

Um privilégio…

A ACEITAÇÃO me resgata para mim, como sou, com a idade que tenho, meu corpo, preferências, minhas dúvidas e quase certezas, já que ambas mudam todo dia.

E senti em minha alma que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, como rima Pessoa…

Minha gratidão profunda pelo olhar de Andréa me leva a compartilhar o resultado de nosso encontro para que possamos sempre lembrar que o tempo passa, e que o importante é aproveitar cada momento, cada fase em total presença, pois assim sempre haverá beleza…

Por isso me vi como uma velha linda! E me orgulhei de mim… Coisas que a arte desperta em nós… E aí vem o texto lindo de Diego Engenho Novo…

“Chegou ao meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar. Não sabia explicar. Não era cansaço, nem estava perdida. Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos. Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou observando as margens da sua história, a estrada da vida ficando fininha, calando-se de tão longe que ia.

Estava em paz observando a menina que foi graciosa, cheia de vida. Estava olhando para si mesma e nem notou. Ali, naquele instante estava recebendo um presente. Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais.

Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a ralentar o passo. Já notou como tem gente que adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos? Ela não.

Não mais.

Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa. Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez. Senhora do seu próprio tempo.

Percebeu, à metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor. E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar. A mulher ao centro da vida traz a leveza que os anos teceram, pacientemente. Escuta bem mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo. Aquela mulher já perdeu pessoas demais.

Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha bem mais. Sonha pelo simples exercício de sonhar. Sonha porque notou que é o sonho que tempera a vida. Aprendeu a parar de ficar encarando as linhas do corpo. Seu espírito teso, seu riso aberto, sua fé gigante não têm rugas, nem celulite, sem encanação. Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas, nas belas costas que tem e deixá-las ao alcance da vista dos outros.

Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais. Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar. Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesmo, que perdoar-se de dentro pra fora. Ao centro da vida ela descobriu que a gente não se acaba, a gente vai mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais.”

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