Às vezes tudo que a gente precisa é de um horizonte à frente. Para olhar de frente, não de costas, não de viés. De frente. Simplesmente.

Quando olhei há pouco de repente vi o que não queria ver. O pior de mim. O pior de todos nós. De frente para o espelho. Quem nunca infringiu? Quem nunca mentiu? Quem nunca subornou? Quem nunca enganou? Quem nunca prevaricou? Atire a primeira pedra.

Sim, senhoras e senhores, somos todos e todas responsáveis por tudo que acontece. Por permissão, omissão, desinteresse, desrespeito, e está aí a situação diante de nós.

Uso as palavras de Flaira Ferro em sua música “Curar de Mim”, que precisamos conhecer. E se reconhecer. Veja só:

“Sou a maldade em crise tendo que reconhecer as fraquezas de um lado que nem todo mundo vê. Fiz em mim uma faxina e encontrei no meu umbigo o meu próprio inimigo que adoece na rotina… Eu quero me curar de mim… Quero me curar de mim… Quero me curar de mim…”

Reconheci minha responsabilidade. Não culpa. Culpa é quando quero acusar alguém de responsabilidade por aquilo que não assumo.

E então saio do horizonte e venho para o entorno e vejo um grande movimento em direção à solidariedade, união, empatia, presença, cuidado.

Dia desses ouvi um rapaz abastado dizer que era muito arrogante pela sua condição privilegiada até que se viu diante de uma situação (espelho no horizonte) em que teve que decidir e decidiu dar um banho num homem em profunda depressão, preso a uma cama, que não tomava banho há mais de duas semanas. Ele descreveu como colocou luvas, tirou a roupa do homem, pegou-o no colo e levou-o para o banho lavando-o cuidadosamente. E como este fato foi significativo e transformou sua vida quando ele se permitiu cuidar ao invés de ser cuidado.

Todos os dias estamos diante de decisões a serem tomadas (espelho no horizonte). Chamo isso de livre arbítrio. É quando escolhemos entre culpar ou se responsabilizar.

Este movimento de afetos me afeta. E se expande, e aos poucos estamos aprendendo, despertando a consciência, a empatia, que só se dá no espelho do outro.

Foi preciso olhar com horror para o pior de mim mesma, refletido no espelho da nação, desorganizada e caótica, mas em processo de transformação, para finalmente perceber que posso ser o melhor de mim mesma.

E aí, literal e figuradamente, começo a me ver por cima de todas as máscaras e ver as pessoas por cima de todas as suas máscaras, nos olhos, no portal da alma.

Nada é por acaso.

Estamos diante da esfinge.

“Decifra-me ou te devoro”.

E devora mesmo.

A vida é o grande presente. Agradecer é desfrutá-la, aproveitá-la aprendendo e se divertindo, acima de tudo, se entregando.

Aceite. Aceito.

Dizem que dói menos.

E, se lhe falar ao coração, repita para si mesmo:

“Só por hoje sou responsável por tudo que acontece no espelho do meu horizonte, por todas as decisões que tomar e suas consequências, e por tudo que está em torno de mim.”

“Eu quero me curar de mim”…

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