CAPÍTULO 1

A CAMINHO DE AVALON

 

“…a peregrinação a um lugar sagrado é uma experiência (única) espiritual dentro do corpo – como foram as minhas gestações…” (Jean Shinoda Bolem – O Caminho de Avalon)

 

Era só uma menina quando vi uma foto em preto e branco daquele monumento espetacular cravado na ilha britânica inexplicavelmente há milênios.

Não conseguia tirar os olhos, era como se quisesse entrar na foto, um sentimento de “voltar para casa” que não tentava entender.

Desde então busquei informações sobre aquele lugar que me encantava com tanta força. Li muito, vi milhares de fotos, filmes, mas acima de tudo desejei. Desejei muito e sonhei, vendo-me em várias situações naquela paisagem, em sonhos, meditações, “flashbacks”, lembranças inexplicáveis, algo que me acompanhou sempre pela vida.

Queria muito ir a Stonehenge. Quem me conhecia sabia disso.

Um dia reencontrei meu amigo querido, Paulo, que não via há alguns anos, graças a umas férias que passei em São Paulo.

Ele me disse que estava trabalhando num projeto na área da educação em Osasco, cidade da Região Metropolitana, e que a coordenadora estava de saída do seu posto, precisando ser substituída, e me ofereceu essa oportunidade, me convidou para trabalhar no projeto com um salário considerável e um desafio profissional interessante, pois nunca havia trabalhado na área da educação nem no terceiro setor, vinculada a Organizações Não Governamentais.

Isso significava uma grande mudança em minha vida, pois estava morando há alguns anos em Natal, RN, a bons 3.000 km de distância, com uma vida relativamente tranquila em relação aos padrões da Paulicéia Desvairada.

Já havia trabalhado em alguns projetos com ele e sabia que “dávamos liga”, trabalhávamos bem juntos, seria divertido e levado com muita seriedade, disso tinha certeza, além de acolher bem o carinho de uma indicação tão significativa partindo dele, com um enorme círculo de amizades ali mesmo, sem necessitar deslocamentos, lembrar-se de mim, quando não nos víamos há tanto tempo.

Tudo isso pesou e aceitei a oferta, passando a me comunicar por e-mail e telefone com Gabriel, diretor da ONG que coordenava o projeto, que viria a ser “meu chefe”, mas acima de tudo um grande e querido amigo.

Ele acatou a indicação de Paulo, aceitou conhecer-me virtualmente primeiro e me orientar com relação ao início das minhas atividades, o que me deu tempo de sobra para me preparar, me despedir, tomar todas as providências necessárias a uma grande mudança física e comportamental com calma e no devido tempo.

Cheguei a São Paulo em 15 de julho de 2010, de mudança, e encontrei Gabriel logo depois, numa noite em que ele foi me buscar para nos conhecermos pessoalmente e prosearmos, e ali nasceu uma relação de confiança e amizade que cada vez mais cresceu e se consolidou.

Ali ele me perguntou qual era meu maior sonho na vida e lhe respondi, sem pestanejar, “Conhecer Stonehenge”, e ele respondeu sorrindo, “você vai realizar”…

Comecei um trabalho apaixonante, novo, onde aprendi muito e recebia boa remuneração que, somada à minguada aposentadoria, facilitou alguns acessos a coisas que gostava e queria fazer.

Assim fui parar num curso de especialização em Psicologia Transpessoal, primeira turma formada na UNILUZ (*), em Nazaré Paulista, SP em 2011.

Foram dois anos de encantamento e descobertas com grandes mestres e pessoas maravilhosas que compunham aquela turma tão especial, sob a batuta dos queridíssimos Professores, Mestres, Doutores Taunay Daniel e Lia Grillo.

Ali tive a alegria de conhecer Joyce, catarinense, naquele momento residindo em São Paulo com seu esposo, que já trabalhava com turismo e suas “Viagens Inspiradoras”.

A empatia foi imediata e ela passou a me dar carona nos encontros presenciais, e pegamos juntas muito trânsito, chuva e sol, e todos os percalços inerentes à Rodovia Fernão Dias, uma vez por mês, de sexta a domingo, durante 2 anos.

Conversávamos muito, tínhamos vários interesses em comum, ela me contou sobre seu trabalho de levar pessoas a lugares místicos e especiais, proporcionando vivências numinosas, de autoconhecimento e reconexões.

Isto me inspirou a lhe contar sobre a viagem dos meus sonhos, que era o roteiro apresentado num livro que tinha lido, O Caminho de Avalon, de autoria de Jean Shinoda Bolem, que relata sua trajetória pessoal aos “lugares sagrados da Deusa” na França, Inglaterra e Escócia.

O livro abre com o mapa dos lugares visitados por ela, incluindo Stonehenge.

Já a conhecia de livros anteriores sobre arquétipos femininos, assunto que sempre me interessou, diferente deste, que relata uma experiência pessoal. Quando ela estava com 50 anos, se separando do marido depois de um casamento de 25 anos, seus filhos se encaminharam e ela se viu só, na menopausa, vivenciando a “síndrome do ninho vazio”, passaporte para a maturidade.

Nesta ocasião ganhou esta viagem de uma admiradora que lhe ofereceu conhecer os lugares sagrados da Deusa na Europa. No espírito em que se encontrava, acabou fazendo, paralelamente, o trajeto para dentro de si mesma, brindando mulheres como eu, que despertam através da sua experiência, que tem como pano de fundo o mito do Graal, Parcival e o Rei Pescador.

Relatei a influência que essa leitura teve sobre mim em meu momento de menopausa, amadurecimento e transformação, minha solidão, que se relaciona com a busca do feminino sagrado, o cálice, e de sua cura, representada pela ferida na coxa do Rei Pescador, que enquanto não fosse curada, o reino se manteria devastado. Vale conhecer melhor a história.

Foi uma jornada iniciática, que marcou o momento vivido pela autora, os 50 anos, a separação do marido, o encaminhamento dos filhos, a “síndrome do ninho vazio”, aprendendo a lidar com a solidão, pois fez esse caminho sozinha.

Disse-lhe sobre meu sonho e desejo imenso de ir a Stonehenge desde a mais tenra idade, e que este magnífico lugar estava inserido na peregrinação de nossa, agora amiga, Jean.

Joyce logo se interessou e me pediu o livro emprestado. No nosso encontro seguinte levei para ela. Chegamos na sexta-feira, finzinho da tarde, jantamos, fomos dormir.

No dia seguinte, logo pela manhã, ao nos encontrarmos para as aulas do curso, ela foi logo me dizendo: – Já li o livro além da metade. Nós vamos fazer essa viagem.

Suas palavras me deixaram muito feliz, encantada mesmo, ainda que no fundo do meu coração ainda uma dúvida sobre minha capacidade financeira de realizar tal empreitada.

Simplesmente acreditei…

Joyce é uma grande empreendedora, poliglota, vasta experiência em viagens internacionais, com excelentes contatos e, “milagrosamente” para mim, constrói o roteiro em conjunto com suas parcerias profissionais, pessoais e místicas, fechando um pacote que ofereceu e algumas pessoas que se interessaram e se dispuseram a embarcar.

Fez de tal jeito que consegui me preparar financeiramente, pagar as parcelas mês a mês e viabilizar o recurso para o deslocamento, sem deixar de cumprir meus compromissos habituais. Digo que foi verdadeiramente um presente.

Sim, a viagem dos meus sonhos estava sendo elucubrada sob medida para mim, sim, eu ia chegar a Stonehenge e não só, mas muito mais além… Ter o privilégio de conhecer lugares consagrados há milênios pelos povos antigos… Caminhar sobre a história da humanidade…

Desde o momento em que assumi o compromisso de ir até o nosso encontro no Aeroporto de Guarulhos, SP, era como se caminhasse sobre nuvens, entre o medo de alguma coisa não dar certo e o medo de ficar 12 horas dentro de um avião mergulhada na escuridão da noite.

E entre acertos, preparativos, acordos, o dia 6 de agosto de 2013 chegou, primeira noite da lua nova, lua escura, recomeços…

Aprendizado nº 3: Acredite! Mesmo que os medos venham, ACREDITE sempre…

(*) https://nazareuniluz.org.br/

QUER SABER MAIS SOBRE STONEHENGE, ACESSE:

STONEHENGE: CICLO NO INTERIOR DE CICLOS… – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

STONEHENGE: PREFÁCIO – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

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Isis de Castro

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