#partiuavalon

1º DIA – 06/08/2013 – TERÇA FEIRA

“As histórias que as pessoas contam cuidam delas. Se chegarem histórias a você cuide delas. E aprenda a transmiti-las quando necessário. Às vezes uma pessoa precisa mais de uma história do que de alimento para continuar viva.”

(Jean Shinoda Bolem – O caminho de Avalon)

Difícil descrever como acordei nesta manhã. Muito emocionada. Estava tudo pronto. Malas, documentos, instruções no trabalho, em casa, com família, minha roupa em cima da cama esperando a hora chegar.

Tinha de estar no Aeroporto Internacional de Guarulhos às 14 horas. Sairia de casa antes das 13. O vôo estava previsto para decolar às 16:15. Considerando o fuso horário, chegada a Londres às 7 hs da manhã, após 12 horas de voo.

Eram 6 horas e, como sempre, apreciava o nascer do sol na minha janela, com vista privilegiada para o Pico do Jaraguá, meu deleite diário….

Pela minha cabeça passava todo o caminho percorrido até ali. No ano anterior, 2012, tinha completado 60 anos, ocasião em que comecei a me preparar para esta viagem, que resolvi me dar de presente de aniversário.

Agora, aos 61, ia finalmente realizar minha grande façanha.

Já viajei muitas vezes de avião, até na tenra juventude cheguei a ser Comissária de Voo por pouco tempo, pois logo engravidei da minha filha Mariana. Sempre voos relativamente rápidos, dentro do país, no máximo 4 horas, que me lembre. Mesmo minhas únicas viagens para o Uruguay, Montevideo e Punta del Leste, foram relativamente rápidas.

Nunca tive propriamente medo de avião, senão não viajaria, para mim é como motorzinho de dentista, prefiro não precisar, mas se necessário, tudo bem.

Mas uma coisa que especialmente me incomodava nas viagens que fiz era entrar numa nuvem e, ao olhar para a janela, não enxergar nada, uma certa claustrofobia aérea, que me provocava uma certa ansiedade, mais próxima do medo.

Assim, quando recebi as informações sobre a viagem e vi que viajaríamos a noite toda, atravessando o Brasil e o Oceano Atlântico no mais profundo negror, confesso que bateu uma paúra.

Era o primeiro desafio que se apresentava. Perder o medo de atravessar o portal. Superar a dificuldade do desconhecido. Sair completamente da zona de conforto. Atirar-me. Entregar-me. Confiar.

Meu Filho Giuliano levou-me ao Aeroporto. Acompanhou-me até encontrar Joyce e a galera que já estava lá, chegando de vários pontos, muito animada e sorridente, algumas pessoas com o livro “O caminho de Avalon”, de Jean Shinoda Bolem, nas mãos.

Entregue, despedi-me dele, que me desejou tudo que um Filho deseja à Mãe quando vibra com a conquista dela, e assim despedi-me também daquele “mundo real”, entrei no meu labirinto.

 

O LABIRINTO

(Jean Yves Leloup)

O Labirinto é uma bela imagem da nossa vida,

desse desejo que faz avançar e do medo que nos faz recuar.

No entanto, dentro de um labirinto

é essencial termos uma orientação dentro de nós.

Quando se caminha no deserto os mapas de nada servem.

O importante é ter uma bússola.

Muitas vezes, no deserto de nossas existências,

no labirinto de nossas vidas, sentimo-nos perdidos.

Temos a impressão de que não caminhamos,

não avançamos, de que estamos regredindo.

O importante é lembrarmos

que existe uma bússola dentro de nós que é o Coração.

Nosso Coração é aquela parte

que se volta para a luz dentro de nós,

que não nos deixa afastar do Amor,

que vai em direção ao Centro.

É dessa forma que todos os passos do Labirinto

nos levam até o Centro.

Esse é um belo ato simbólico:

caminhar dentro desse Labirinto

nos faz lembrar que, a cada passo,

se tivermos o nosso Coração orientado em direção à Luz e ao Amor,

estamos indo em direção a esse Centro,

que é a Verdade, a Bondade e a Beleza que buscamos.

É o Coração que está dentro do Coração da própria Vida.

Trata-se de não ter medo de entrar no Labirinto.

De caminhar nos meandros de nossa existência, de entrar na Sombra.

Existe dentro de nós uma bússola

que nos faz lembrar que a Luz e a Paz existem.

Caminhemos em direção a ela.

 

Foi muito bom chegar naquele ambiente iluminado, vendo pessoas expectantes e felizes que seriam minhas companheiras a partir daquele momento.

Conversamos, nos olhamos, nos conhecemos e reconhecemos, e fomos aos poucos adentrando nosso destino e nossa escolha num clima de muita celebração.

O avião era enorme, não faço ideia de quanto suportava de passageiros, mas era muito… Meu lugar era bem no meio, cercada de poltronas, um corredor de cada lado. Por sorte, Mariana, carioca de Petrópolis, mulher linda de sorriso aberto e longos cabelos grisalhos, sentou-se na poltrona seguinte à minha. Estava no nosso grupo e assim conversamos bastante.

Enquanto conversávamos, ela tirou de sua bolsa um pequeno caderno de mandalas para colorir. Era um hábito seu, iria ver nos dias seguintes. Com seus lápis de cor ia dando vida aos desenhos em preto e branco que se apresentavam diante de seus olhos transformando-os em círculos cheios de cores e beleza.

Achei incrível, pois durante bom tempo de minha vida, quando morava sozinha, tive vários cadernos de mandalas para colorir e aqueles livrinhos em espiral, de bolso, que ela usava não conhecia. Primeira novidade. Quando voltei de viagem procurei e achei vários daquele estilo e os pintei muito.

Aos poucos, depois do jantar, foi batendo aquela vontade de dormir. Mas e a adrenalina? Fazer o que com ela?

Tinha opção de filmes, música e GPS para me distrair. Optei pelo GPS. Estava muito agitada para conseguir me concentrar em alguma coisa. Na poltrona da frente tinha uma pequena tela onde fazia as escolhas. Fiquei “assistindo”, observando a evolução do deslocamento do avião, divertindo-me ao saber que sobrevoava a Bahia, o Ceará, até entrarmos oceano adentro.

Sentia-me profundamente emocionada, um ínfimo pontinho de luz, como um vagalume, sobrevoando o oceano, piscando de ansiedade, curiosidade, felicidade, com os pés no vazio.

Cochilava, despertava, me atualizava e cochilava de novo.

Assim passei as 12 horas, percebendo que não sentia tanto medo assim, estava relativamente calma, considerando as circunstâncias e as minhas dificuldades.

Primeira etapa vencida. Às 7 horas da manhã pousamos na pista do Aeroporto de Heathrow, um dos maiores do mundo, com mais de 100 portões de embarque, onde havia até um trem que levava os passageiros para seus respectivos embarques e desembarques.

Sim, eu estava em Londres…

Aprendizado nº 4: Longe é um lugar que não existe… parafraseando Richard Bach…

QUER SABER MAIS SOBRE STONEHENGE. ACESSE:

STONEHENGE: CICLO NO INTERIOR DE CICLOS… – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

 

STONEHENGE: PREFÁCIO – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

 

STONEHENGE: CAPÍTULO 1 – A caminho de Avalon – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

QUER SABER MAIS SOBRE ISIS DE CASTRO, ACESSE:

Isis de Castro

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