#partiuavalon

2º DIA – 07/08/2013 – QUARTA FEIRA

“Reagir de forma autêntica ao que encontramos: é assim que reagíamos quando crianças, antes de sermos punidos ou humilhados por isso. Reagir de forma autêntica ao que encontramos – como é difícil para os adultos fazer algo que parece tão simples! Para isso, precisamos estar apenas interiormente atentos, saber o que sentimos e sermos capazes de reagir com uma receptividade inocente, espontânea e instintiva, que é uma consciência discriminadora precisamente harmonizada, uma reação de corpo e alma ao mundo à nossa volta.” (Jean Shinoda Bolem – O caminho de Avalon)

Embora não tenha dormido de verdade à noite, o tamanho da minha alegria não permitia a chegada do cansaço. Fomos nos encontrando na saída do avião e quando Joyce me viu me abraçou festejando e dizendo “Chegamos! Estamos em Londres!”, e registrou nessa foto que mostra o tamanho da nossa felicidade.

Passamos por todos os trâmites, achei lindo estar com meu passaporte na mão… Quem diria… Meu passaporte!…

Um micro-ônibus nos esperava, embarcamos e me vi embasbacada olhando pelas janelas panorâmicas uma cidade que despertava, não uma cidade qualquer… London… London… tudo que tinha visto em filme passava diante dos meus olhos…

As ruas, prédios, carros, pessoas indo e vindo, a famosa “mão inglesa” ao vivo e em cores, magazines glamourosos, outdoors incríveis, monumentos, tudo muito chique… Londres é chique!

Estávamos a caminho do Royal National Hotel, onde outra grande alegria me aguardava.

LIZE…

 

“Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”… (Milton Nascimento)

 

Quem tem amigo de verdade sabe do que estou falando. Lize é uma criatura que amo imensamente.

A gente se conheceu num momento de vacas bem magrinhas, moramos na mesma casa, onde uma amiga comum nos alugava quartos.

Ela, catarinense, morando em Natal onde trabalhava com turismo. Eu, recém-chegada de São Paulo, reconstruindo a vida, tínhamos muito em comum e assim acabamos nos aproximando.

Ela, carinhosamente, sempre me chama de “Mamis”, retribuída igualmente por quem a considera uma Filha querida.

Quando as coisas melhoraram um pouco alugamos juntas um apartamento, onde compartilhamos convivência e despesas.

Foi uma das moradas mais harmoniosas que vivi, inclusive pelo fato dela ser canhota, como eu, e tudo estava sempre “do lado certo”…

A vida nos levou a diferentes destinos, mas somos, sinceramente, amigas para sempre.

Ela, bióloga, mergulhadora, guia de turismo, amante da natureza e de viagens internacionais, já havia morado fora do Brasil, e acabou se transferindo para Londres alguns anos antes.

Ficou felicíssima ao saber que eu estaria de passagem por lá e, sabendo que nosso primeiro dia seria livre, combinamos de nos encontrar e ela me apresentar a esta cidade que eu ansiava tanto conhecer e ela me mostrar.

Chegando ao hotel ela já me esperava e nosso encontro foi lindo, amoroso e muito alegre. Contou-me que, de tanta ansiedade pela minha chegada, entendeu que eu chegaria no dia anterior e na véspera já estava lá a postos me esperando, até descobrir que eu só chegaria no dia seguinte. Rimos muito juntas.

Estava especialmente feliz pelo fato de eu estar realizando o sonho de ir a Stonehenge, ela, que sabia desse meu imenso desejo e, por minha influência, me disse naquele momento, foi até lá visitar e constatou pessoalmente o que eu lhe dizia sentir em relação a este lugar.

Pedi-lhe que me aguardasse enquanto eu fazia check-in no hotel. Precisava me instalar, tomar um banho e tomar café, e ela se prontificou a me aguardar. Trabalhava como tradutora e intérprete e ia adiantando seus afazeres pelo celular.

Foi quando fiquei sabendo que minha companheira de quarto durante toda a viagem seria Elizia, uma grata surpresa.

Instalamo-nos juntas e conversamos um pouco. Catarinense, casada, tinha uma filha que amava muito.

Ali tomei meu primeiro banho de banheira inglesa, que se repetiria pelos dias seguintes, relaxante, delicioso, só não mais longo porque tinha alguém me aguardando lá embaixo, mas foi maravilhoso para me reorganizar, me adequar, me harmonizar, afinal, o fuso horário mexe um bocado com as nossas referências…

Abastecida das necessidades básicas voltei a Lize. E fomos passear, alegremente, como duas crianças, duas amigas, duas mulheres que se amam e se respeitam, que não se viam há algum tempo e que festejavam o reencontro naquele lugar tão especial, aquela cidade deslumbrante e cosmopolita, onde o passado e o presente tropeçavam sob nossos pés.

Logo de início ela me disse que Londres era uma cidade para se conhecer a pé. Alto verão, cruzávamos com pessoas de todas as partes do mundo. Ia deslumbrada ao lado dela, observando aquela paisagem tão sonhada, muitas flores por todos os lados, em janelas, portas, ruas, caminhos, flores, flores, flores…

Artistas pelas ruas, estátuas vivas, músicos, circenses, performers, pessoas com roupas típicas para tirar foto e ganhar uma moeda.

Visitamos as imediações do Palácio de Buckingham, ainda muito enfeitado devido ao nascimento do primeiro filho do Príncipe William. Jardins belíssimos, árvores centenárias, talvez milenares, pelo seu porte e majestade.

Andamos por ruas que ainda guardam reminiscências dos tempos passados, como arcos de ferro fincados no chão próximos a entrada das casas que serviam para limpar os pés da lama, e amarrar os cavalos, construções muito antigas de prédios adequados para resistir a invernos bastante rigorosos.

Carnegie Hall, emblemática casa de espetáculos, aquela roda gigante, gigantesca, na verdade, que me arrependo de não ter tido coragem de subir, estação de trem onde bastaria comprar uma passagem para Paris e em poucas horas lá estaria, ônibus vermelhos de dois andares, que fiz questão de entrar e dar um pequeno rolê, cabines de telefone típicas, até que bateu a fome e fomos nos alimentar como ingleses no verão: compramos comida pronta, muito fácil e acessível, para comer na praça, ao ar livre.

E aí um passeio incrível pelo Rio Tâmisa, navegável, com um movimento intenso, onde vi um velho navio de guerra ancorado, que era aberto a visitação, várias embarcações que iam e vinham, e o barco que fazia o passeio turístico com muitos turistas de várias partes do mundo.

Há uma ponte pênsil no percurso que, para nosso deleite, estava se abrindo, e depois fechando, quando fomos nos aproximando, o que foi comentado que era grande sorte nossa assistirmos aquele movimento, que não era comum nem tão fácil de ver.

Nas margens apreciávamos aquele mar de construções que se confundiam diante de nossos olhos, do antigo mais antigo ao moderno mais moderno.

Realmente uma cidade apaixonante que, ao lado da minha queridíssima amiga, com quem compartilhava a alegria do encontro e das descobertas que ela me facilitava, tornava-se mais fascinante ainda.

Foi um dia verdadeiramente inesquecível, que agradeço aos céus, aos deuses e deusas, aos anjos, aos mestres e guias espirituais, aos amigos e amigas visíveis e invisíveis, tudo e todos que contribuíram para aquele momento, um lindo prelúdio para o que viria a seguir, o caminho de Avalon, que me aguardava com toda sua beleza, mistérios e segredos.

Aprendizado nº 5: Libertar a criança interior resgata quem eu sou em essência.

QUER SABER MAIS SOBRE STONEHENGE, ACESSE:

STONEHENGE: CICLO NO INTERIOR DE CICLOS… – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

STONEHENGE: PREFÁCIO – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

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