Foto: Mariana Terra

#partiuavalon

4º DIA – 09/08/2013 – SEXTA FEIRA

“Avalon existe onde a divindade vive, na natureza, e a vivifica no peregrino.”… “De certa forma, essa viagem me parece uma continuação de um caminho que já percorreu meia existência, um ritual iniciático talvez, e com certeza a introdução a algo sobre o que tenho apenas uma vaga noção.” – Jean Shinoda Bolem – O caminho de Avalon

ROTEIRO DIA A DIA

Dia 3 – 9 de Agosto – Sexta Feira – Londres – Southampton

08:30     Partida para dia inteiro de tour em direção a Glastonbury (8 horas)

11:30     Chegada a Glastonbury para visita a cidade, ao Chalice Well e ao Tor Hill

17:30     Partida para Southampton

19:00     Chegada ao hotel Southampton Park Hotel / pernoite em Southhampton

Nosso roteiro para o dia mostra que estávamos saindo de Londres em direção a Southhampton, via Glastonbury, um dos lugares mais incríveis que conheci.

Este capítulo merece ser desmembrado em partes, pois aqui começa a magia do caminho sagrado, o contato com o visível e o invisível, sensível, inefável, incognoscível.

O dia começou lindo, nossa nova guia, que não lembro o nome, já nos esperava. Estávamos em polvorosa, saindo de Londres em direção à nossa aventura. Ainda mal sabíamos o que nos esperava, até aqui só letrinhas em papéis, preparação, Efeito Borboleta, estranhos atratores fazendo a roda girar. A partir de agora adentramos verdadeiramente nossa jornada iniciática de conexão física e espiritual com a energia do sagrado feminino.

No livro que nos serve de inspiração e referência, Jean inicia sua jornada em Paris, na Catedral de Chartres, com seu famoso labirinto, construída e reconstruída entre os séculos IX e X num local onde as antigas tradições já reverenciavam a Deusa, fato comum na construção de igrejas católicas dedicadas à Mãe.

Jean associa labirinto a útero. Para a igreja católica é o caminho que leva o homem a Deus. Se analisarmos os teores simbólicos das duas interpretações, podemos inferir que, se Deus está dentro de nós, o caminho do homem/ser humano para Ele é para dentro, é interiorizar-se, conhecer-se, ir às origens, ao útero…

A simbologia do útero está associada à origem, fertilidade, fecundação, criação, nascimento, novo, em suas diversas manifestações, compondo o arquétipo da Mãe.

Joyce acertou conosco que, para viabilizar financeiramente a viagem, optou por iniciar o roteiro do livro a partir da segunda etapa, Glastonbury, pequena e antiga cidade cercada de mistérios relativos a mitos e lendas do Rei Arthur, da Távola Redonda, da Fada Morgana, Avalon, Santo Graal, José de Arimatéia.

Ali encontra-se Glastonbury Tor, destacando-se altaneira na paisagem, fazendo lembrar a lenda de que ali nasceu o cristianismo na Grã-Bretanha e de que a primeira igreja foi construída lá para acolher e proteger o Santo Graal, mais ou menos trinta anos depois da morte de Jesus. A mesma lenda também fala de um José mais jovem que esteve por ali com Jesus quando ele era criança.

Histórias do Rei Artur citam Glastonbury como a lendária Ilha de Avalon, sendo inclusive o local onde Lancelot se exilou após a morte do rei.

Hoje a cidade é um centro turístico e de peregrinação para pessoas místicas, espiritualistas, pagãs, ou que se interessem pelas origens dos ritos ligados ao sagrado feminino.

Há também ruínas de uma antiga abadia, o Templo da Deusa e, a “cereja do bolo”, Chalice Well, uma fonte antiquíssima, considerada sagrada, um lugar impressionante e inesquecível.

Cada lugar uma energia, que parece que vai se ampliando cada vez mais até subirmos a colina, onde a expansão é total, com uma vista fantástica daquela paisagem antiquíssima, que remetia à origem da humanidade, quando a vontade é de abrir os braços, girar e dançar de alegria e celebração como forma de se integrar e ser simplesmente o que se é em gratidão, conexão e harmonia.

Então vamos por partes…

Foto: Mariana Terra

Foto: Mariana Terra

PARTE 1: TEMPLO DA DEUSA

Após uma boa viagem, onde ouvimos a guia passando algumas informações e histórias relacionadas a Glastonbury, conversamos, rimos e nos divertimos, antecipando as emoções que sentiríamos ao chegar ao destino.

No caminho paisagens de muitos campos, campinas, rios, lagos, rebanhos, plantações, construções antigas, ruínas, casas magníficas, céu azul de brigadeiro que nos acolhia sorridente.

Nunca esquecerei minha emoção quando, na rodovia, vi pela primeira vez uma placa indicando “STONEHENGE – 100 MILES”… No caminho passamos por lá, já tendo uma primeira vista à distância da minha Meca. Do meu sonho. Estava a um passo… No dia seguinte chegaríamos lá.

Foto: Mariana Terra

O ônibus parou num estacionamento adequado, bem próximo ao Templo da Deusa, de frente para as ruínas de uma antiga e impressionante abadia. A cidade pequena, repleta de lojinhas bem diferentes e interessantes, nos atraíam, pois queríamos ver tudo, fotografar tudo, conhecer tudo, comprar tudo…

O Templo da Deusa fica dentro de uma pequena galeria repleta de lojas que vendem produtos típicos, com as fortes simbologias celtas, atribuídas à Bruxaria, ao Paganismo.

Subi as escadas e adentrei aquele espaço simples, acolhedor, arejado, claro, transparente, onde havia incontáveis representações da Deusa.

Muita cor, véus, tapetes, almofadas, cortinas, onde podíamos nos instalar para meditar. Foi o que fiz. Lembro de sentar no chão, do lado oposto da porta de entrada, apreciando intensamente aquele momento. Do outro lado estavam Diego, em seus trajes de sacerdote, e Sahwenya.

Permiti-me invadir por aquele aroma de ervas, pela paz inerente, pelo ambiente tão harmonioso, pelo silêncio. Vi duas mulheres entrando e cuidando de detalhes, acendendo velas que estavam se apagando, incensos, arrumando almofadas, observando se faltava alguma coisa.

Foto: Satya Joy

Fechei os olhos e meditei. Uma das meditações inesquecíveis em minha vida. Um sentimento único de integração, de sentir que estava no lugar certo, na hora certa, conhecendo algo que fazia parte dos meus valores.

Uma janela entreaberta atrás de mim se incumbia de liberar um vento delicioso que me acariciava em seu caminho.

Passei um tempo assim, suspensa no tempo e no espaço, parecia que tudo tinha parado ali… Até que abri os olhos e vi Sahwenya em sua profunda meditação e Diego prostrado diante do altar principal da Deusa, em total veneração. Uma visão linda e integradora. Aos poucos fui trazendo minha presença, sentindo uma bem-aventurança tamanha que me mantinha com um sorriso permanente.

Foto: Mariana Terra

Fomos nos integrando os três, nos reverenciamos mutuamente, encerrando aquele breve momento mágico.

Desci as escadas quase levitando e entrei na primeira lojinha. À minha frente prateleiras repletas de representações do Homem Verde que, na tradição celta, é o arauto da primavera, o Deus dos Bosques, os aspectos masculinos da natureza, Pai da Terra, dos animais selvagens.

As antigas tradições reverenciam o rosto másculo, de aparência humana, que se revela no verde e marrom, vestindo folhas e cascas, guardião das florestas e de todas as árvores, simbolizando fertilidade, crescimento, abundância, presente em monumentos sagrados espalhados por todas as terras célticas.

Deparei-me com aquele que me escolheu, encantei-me percebendo a conexão, acolhendo-o em minhas mãos, recebendo-o em meu coração. Pensei num nome para ele: Gwyn.

Foto: Isis de Castro.

Queria encontrar sua companheira e, entrando em outras lojas, encontrei um lindo cálice de pequenas pedras de ametista, a pedra que mais amo, sobressaindo-se elegantemente sobre sua base alongada, e trouxe-o para mim, representando o Sagrado Feminino, ao lado de Gwyn.

A integração yin/yang que almejo, representada desde então no meu altar, por onde ando no mundo, por estas duas peças que me são tão caras por terem sua origem naquele lugar especial e cheio de significados.

Foto: Isis de Castro.

O encontro com Gwyn sensibilizou-me pela lembrança da primeira vez que vi a carta do Homem Verde quando comecei a estudar o Baralho Wicca.

Fiquei absolutamente impressionada, observando longamente todos os detalhes para procurar entender toda a simplicidade e grandeza que percebia.

Um semblante severo cravado no alto de um antigo carvalho, uma porta fechada incrustada em sua base, diante da qual uma serpente se enrosca em torno de uma bola branca, um ovo, em meio a uma floresta, com mais árvores por trás, um gamo movendo-se entre elas. A palavra chave da carta é CRESCIMENTO.

Senti-me comovida pela imponência, antiguidade e sabedoria que exalam desta imagem tão repleta de símbolos.

Foto: Isis de Castro.

Naquele momento de vida foi um grande alento na minha expectativa de reconciliação e reencontro com o Sagrado Masculino em mim. Creio mesmo que iniciou este processo de modo mais consciente, a ponto de encontrar Gwyn, sua materialização, anos depois.

Assim encerrei minha passagem naquele lugar tão especial, o Templo da Deusa, onde Hécate nos recepciona com seus cães à entrada, lembrando-nos dos seus três aspectos: Donzela – Mãe – Anciã, cada uma com sua sabedoria e missão, e da finitude da vida, da travessia que viemos já sabendo que vamos fazer.

Foto: Isis de Castro.

Foto: Isis de Castro.

Não esquecerei a legião de diligentes mulheres brancas, loiras, ruivas, sardentas, altas, magras, idosas, jovens, que nos recebem, orientam, auxiliam, cuidam, zelam, tornam o local ainda mais mágico e acolhedor.

Sem dúvida o melhor interlúdio para adentrar os mistérios de Avalon, acirrando a curiosidade e o desejo de evoluir na jornada, que a cada momento vai ficando melhor.

Lembro-me nitidamente de Roseli neste dia. Linda, loira, exuberante, sorridente, encantada com tudo à sua volta, via-a deslocando-se para lá e para cá, tirando fotografias, fazendo perguntas. Natural de Pato Branco, PR, logo passamos a chama-la pelo nome de sua cidade, pois na época havia uma personagem muito popular num programa humorístico de TV que tinha um bordão engraçado cada vez que ia contar uma história começando sempre com “Lá em Pato Branco”, reforçando um sotaque bem próximo de Roseli.

Mas o que mais me chamou atenção nela neste dia era o pânico que entrava quando não via alguém do grupo por perto, achando que podia ter sido esquecida ou abandonada. Gritava, pedia socorro, ficava muito amedrontada.

Convidei-a para almoçar, queria conhece-la melhor, via um paradoxo entre a exuberante alegria de viver, que demonstrava, a meu ver, confiança, enquanto a mínima alusão a uma situação de sentir-se só ou abandonada fragilizava-a a ponto de surgir aquela criança ferida em tal profundidade.

Entendi que aquilo mobilizava a minha “criança abandonada”, um sentimento que me acompanha também em muitos momentos da minha vida.

E ali comecei uma amizade carinhosa e cheia de respeito por aquela mulher-menina que ainda ia me surpreender muito naquela viagem…

Foto: Satya Joy

PARTE 2: CHALICE WELL

De acordo com o site https://chalicewell.org.uk/ , “Chalice Well é um dos poços sagrados mais antigos da Grã-Bretanha, aninhado no Vale de Avalon entre o famoso Glastonbury Tor e Chalice Hill. Por mais de dois mil anos tem sido um local de peregrinação onde as pessoas se reúnem para beber as águas e encontrar paz, cura e inspiração. Rodeada de belos jardins e pomares, é um santuário vivo, um local que acolhe todas as pessoas de boa vontade, qualquer que seja o seu caminho espiritual ou crença religiosa; um lugar onde o visitante pode experimentar o poder de cura silencioso das forças naturais mantidas dentro deste templo paisagístico; um lugar para contemplar e meditar pelo fluxo constante das águas no vale abaixo do Tor.”

Ao chegar informaram-nos sobre as regras de silêncio naquele jardim sagrado, onde logo fomos passear. Um profundo encantamento nos envolve. A água do poço é onipresente ressoando em nossos ouvidos seu murmúrio ancestral. Tudo é verde e flores. Nichos de reverência aos diversos aspectos da Deusa, com estatuetas e símbolos.

Foto: Satya Joy

Caminhamos desde a parte inferior do jardim em direção ao topo, onde fica a nascente do poço. É nítido o cuidado na combinação das diferentes qualidades de plantas, fortalecendo a aura sagrada de cada um dos espaços como santuários vivos que inspiram sentimentos elevados de amor e paz.

Sem pressa, fomos explorando cada local ou imagem que nos atraía, conectando com toda aquela magia, entrando e saindo de caminhos, encontrando alguém, trocando impressões e descobertas. Um tempo fora do tempo.

Aos poucos fomos nos reunindo numa clareira, onde nossa incansável guia instruía, respondia perguntas, até nos levar ao poço sagrado, um local reverenciado há milênios em homenagem à Deusa.

É um local pequeno, com um buraco no chão devidamente protegido, por onde passa aquele infinito fluxo da água mais pura que se possa encontrar.

Foto: Satya Joy

O símbolo da vésica piscis destaca-se, com suas formas peculiares, interseção de dois círculos, consideradas base da geometria sagrada, representação manifesta do universo, arquétipo de todas as formas de ser neste mundo.

Literalmente do latim, bexiga de peixe, associado a seu desenho ovóide vertical unindo dois círculos que se cruzam, representando a integração de Deus Pai e Mãe, principais aspectos do Criador Supremo, o útero cósmico com seus círculos em expansão contínua, facilitando acesso entre os mundos espiritual e material.

A egrégora é tão intensa e suave que uma atitude de reverência se instala. Sentamo-nos à volta do poço em silêncio e oração. Em gratidão. O sol aquecia nossos corações. Em êxtase, começamos a nos dirigir para o local onde aquela água desaguava, descendo por uma construção de pedras muito antiga representando a yoni – a vulva, órgão genital feminino, caíndo por cima de um falo de pedra, que acolhe e dispersa para o lago aquela energia em contínuo movimento. A conexão com aquele lugar é muito intensa, trazendo sentimentos de leveza e tranquilidade. Muita paz.

Foto: Mariana Terra

É preciso conhecer o significado daqueles símbolos para compreender a magia daquele momento. Eu, e mais algumas pessoas, tiramos os sapatos e mergulhamos nossos pés naquela pureza molhada que os refrescava e impregnava de memórias.

Uma sensação indescritível e                                prazerosa, gravada indelével no corpo.

No caminho para a saída fomos nos reorganizando, calçando os sapatos, aproveitando para comprar garrafas da água da fonte para beber. Era preciso comprar o suficiente para não levar de volta, porque não era permitido pela segurança dos aviões.

Tomamos aquele néctar durante todo o período da viagem, e creio firmemente que isto contribuiu para fortalecer nossa egrégora e nossas relações, que foram as mais fluidas possíveis, acertando todas as arestas com amor e aceitação.

Dali partimos em direção à última etapa do dia:

PARTE 3: GLASTONBURY TOR

Foto: Isis de Castro.

Tor é uma palavra celta que quer dizer colina. Glastonbury Tor tem 158 metros de altura para alcançar o topo, onde encontramos, segundo uma das lendas que enriquece o folclore local, a torre de uma igreja que está soterrada.

Seu formato peculiar, com sete níveis de terraço, é outro grande mistério, formando um desenho similar a uma espiral, um labirinto, associado por Jean Shinoda Bolem ao formato do útero.

Dentre muitas histórias que se perdem no tempo sobre este local inusitado, uma é de que ali era a Ilha de Avalon em tempos passados, há milhares de anos, quando tudo era um pântano cercado de brumas. Quando secou foi construída a abadia, como um marco da Terra das Maçãs, Avalon, o paraíso celta, o grande portal de travessia… Merlin, Artur, Guinevere, Lancelot, Fada Morgana, Rainha do Lago, lembram os contos de fadas da infância, repletos de referências desses tempos ancestrais…

Fomos caminhando em direção àquele monumento que se destacava no topo da colina, dominando todos aqueles campos verdes, a paisagem, acima de tudo e todos, Tor… Começamos a subir pela espiral natural que o cercava, em conexão com o topo, a meta, e com a visão ampliada pela paisagem que nos rodeava em 360º.

Foto: Satya Joy

Mais um momento mágico abria-se à nossa frente e para o alto. Ali o passado funde-se ao presente, é ponte para o futuro. O vento sussurra, sibila, sopra, murmura, silencia, as vozes se misturam aos sons da natureza, isso é magia…

Aos poucos chegamos ao topo e cada qual recebeu aquela abundância à sua maneira – com imensa alegria, em profunda meditação, prostrando-se em gratidão, celebrando com alguém, deslumbrando-se na imensidão, tudo isso junto, e fotografando, tentando registrar algo que jamais será devidamente representado em partes, pois tratava-se de um todo imenso, profundo, intenso, atemporal, arquetípico, ancestral.

Foto: Satya Joy

Foto: Satya Joy

O final da tarde nos brindava em toda sua harmonia e, aos poucos, um intenso vento frio, para nossos padrões brasileiros, começou a circular, o que nos fez encontrar um espaço de aconchego numa lateral daquele imponente monumento, onde nos acolhemos carinhosamente, repousamos, respiramos, pulsamos em conjunto, em conexão com tudo que nos rodeava.

Foto: Satya Joy

Foto: Mariana TerraSim, estivemos neste lugar… Vivenciamos cada instante com a intensidade que nos inspirava. Estávamos felizes, aquela imensidão nos preenchia totalmente naquele momento. Fazia que sentíssemos nossa própria grandeza.

O caminho que percorremos desde a saída do hotel, a peregrinação pela pequena cidade de Glastonbury, deliciando-nos com suas paisagens mescladas de abundante natureza, ruínas, memórias, a passagem íntima pelo Templo da Deusa, tão individual e peculiar, a integração ao mistério de Chalice Well, a reverência às águas ancestrais e à integração das energias sagradas da vida, a caminhada colina acima, vislumbrando alcançar algo tão inusitado, antigo e perene.

Foram muitas e intensas as emoções do dia e, gradativamente, fomos nos preparando para fazer o caminho de volta, abastecidos e amparados, um certo cansaço no corpo e muita felicidade na alma.

Afinal, o dia seguinte se aproximava… O dia que nos levaria a Stonehenge… Pois é, só mais um dia… e uma noite…

Aprendizado nº 7: Como é bom celebrar uma conquista!

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STONEHENGE: CICLO NO INTERIOR DE CICLOS… – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

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