#partiuavalon

5º DIA – 10/08/2013 – SÁBADO

“Na vida, embora as pessoas sejam importantes, uma mulher penetra em fontes existentes em seu íntimo, e encontra a coragem, a intuição, a inteligência, e surgem habilidades nunca antes desenvolvidas, que permitem que ela faça o que tem de fazer.” – Jean Shinoda Bolem – O caminho de Avalon

 

Dia 4 – 10 de Agosto – Sábado – Southampton

09:00     Partida para dia inteiro de tour em direção a Salisbury 

10:00     Chegada a Salisbury para visita a cidade

12:00     Almoço livre

13:00     Partida para Stonehenge

13:30     Chegada a Stonehenge para visita

17:00     Regresso ao hotel

18:30     Chegada ao hotel / Pernoite no Southampton

 

Foto: Satya Joy …pense numa alegria…

Sim, acordei emocionada este dia. Ainda estava muito tocada pelas profundas conexões vividas na véspera, por tudo que vivi, vi, ouvi, por sentir o despertar de sensações desconhecidas para mim naquele momento, que me enchiam de grande prazer e expectativa pelo que ainda estava por vir.

Sahwenya pediu que vestíssemos branco para esta jornada e lá estávamos, de acordo, na hora do café da manhã, digo, breakfast, e, ao ver todas aquelas pessoas tão envolvidas, comprometidas com este grande acontecimento da minha vida, acrescentei uma gratidão incomensurável pela cumplicidade de sonharmos e realizarmos esta aventura inesquecível.

Sim, estava chegando a Stonehenge… já bem mais próximo que 100 miles

A galera animada como sempre, o dia lindo, ônibus, motorista, guia, tudo “nos conformes”, e lá vamos nós…

Primeira parada, Salisbury, uma cidade linda, com uma igreja tão imensa que é quase inacreditável…

Fotos: Satya Joy

De acordo com https://tolongedecasa.com/2016/11/13/a-conhecida-e-desconhecida-Salisbury/, “Salisbury ou Salisbúria (em português) é uma pequena cidade no condado de Wiltshire no sudoeste da Inglaterra. O lugar tem um passado de mais de mil anos, quando os primeiros povos moravam no antigo povoado de Old Sarum (hoje em ruínas) e se mudaram para onde hoje é a cidade em busca de terras mais férteis perto dos rios Avon, Nadder e Bourne, dando início a cidade no século XII. Salisbury tem uma arquitetura bem interessante, que vai desde muralhas e construções medievais até os mais belos prédios nos estilos georgiano e vitoriano. A cidade é bem viva, animada, tem uma porção de bares, pubs, festivais e eventos públicos além de um conjunto concentrado de excelentes museus e lugares históricos. A cidade, apesar de pequena tem lugares bem interessantes para se conhecer, um deles, se não o mais importante, é a Catedral de Salisbury, uma igreja gigantesca. Ela foi construída com calcário entre 1220 e 1258 e é uma das maiores catedrais da Europa, com uma agulha de 123 metros e um relógio datado do ano de 1386, o mais antigo em funcionamento no continente. Ela é extremamente grande, e está localizada em uma área verde imensa, então dá para você ficar ali relaxando um pouco e apreciando aquela beleza de arquitetura. Caso você queira também pode fazer uma visita guiada no interior da Catedral…”

 

Caminhamos pela cidade, entramos e saímos de ruas que pareciam saídas de um filme de época, sobressaindo sempre altaneira, a torre da catedral.

Foto: Mariana Terra

É incrível como andar por aquelas ruas remete a uma viagem no tempo. O antigo, antiquíssimo, mistura-se ao novo e moderno, destacando o cuidado que se tem com as memórias locais.

Aos poucos fomos caminhando para aquela imensa catedral. Nunca pensei que pudesse haver uma igreja daquele tamanho.

Luxuosa, espaçosa, repleta de vitrais e obras de arte, instalações, altares, genuflexórios, documentos antiquíssimos em exposição, diria que é quase um museu…

Além disso, havia uma crença de que, após a morte, quanto mais perto de lugares sagrados o corpo fosse enterrado mais perto estaria do céu, assim há um infindável número de túmulos, muitos mausoléus, pois eram, como sempre, os que tinham mais posses que conseguiam seus espaços mortuários até dentro da igreja…

Mais uma vez lembrei de minha mãe, quando disse que levasse para ela um fantasma de presente da Inglaterra…

Foto: Satya Joy

Enchemos os olhos e lavamos a alma, pois o ambiente é imponente, repleto de energia criada por uma egrégora construída no tempo e pelas mãos de todos e todas que ergueram, preencheram e cuidaram, e cuidam, de tudo aquilo, mantendo limpo, aberto, oferecendo a oportunidade de vivenciar um momento de pausa, silêncio, beleza, arte, onde morte e vida se misturam harmonicamente, uma fazendo parte da outra.

Mais uma vez observei o medo de Roseli quando se via sozinha, a ponto de, numa dessas explosões, passar na minha frente correndo, achando que o ônibus tinha ido embora, sem sequer me ver.

Fui atrás dela, chamei para mim, abracei-a longamente, disse a ela que jamais a deixaria pelo caminho, com muita firmeza, carinho e amor.

Ela retribuiu, chorou, se entregou, mostrei-lhe o quanto ela se apavorava sem motivo, que bastava olhar em volta e achar alguém conhecido, ou se dirigir até o ônibus, caso se sentisse perdida, pois o motorista geralmente ficava por perto.

Após aquela catarse, para minha satisfação, nunca mais ela teve aqueles acessos de pânico. Aprendeu a confiar em mim, no grupo, e, principalmente, em si mesma.

Isto aumentou muito o carinho e proximidade que tínhamos iniciado em Glastonbury, que gerou muitos momentos de amizade e troca. Fez-me ver o quanto, muitas vezes, apenas uma atenção maior a um determinado sintoma e a ação na hora certa podem mudar um comportamento, ajudando a curar antigas feridas que nem sempre temos consciência, agindo no impulso, na defesa, sem passar pela razão.

O entorno da igreja era, igualmente, uma beleza, repleto de jardins e monumentos, lugares agradáveis para paradas de descanso e processamento de tudo aquilo que íamos vendo e vivenciando.

Fizemos a tradicional pausa para almoço e compras, marcando o local de encontro, para, aí sim, dirigirmo-nos para Stonehenge…

 

Stonehenge…

Foto: Satya Joy

Confesso que estava muito emocionada e focada na meta do meu sonho, que estava apenas a poucas milhas de distância.

Sahwenya, com sua sensibilidade, acertou pedindo que vestíssemos branco neste dia. Como uma celebração, um elo de ligação que a mim mostrou que, juntos, somos capazes de realizar coisas que sós jamais conseguiríamos.

Voltamos ao ônibus e lá fomos nós. Próxima parada, Stonehenge.

No caminho sentei perto de Diego e Géssica, que conversavam sobre danças circulares, pois ela é focalizadora.

Ela mostrava algumas músicas e fui me embalando pelo caminho. Uma das minhas músicas e coreografia preferidas é da Madre Tierra, música de autoria de Keco Brandão, que muitas vezes dancei nas rodas em Natal, RN, e sempre me emocionou.

https://www.youtube.com/watch?v=1a4yE3VJ5k0

Quando ela colocou essa música comecei a cantarolar baixinho, deixando-me embalar pela sua força, quando Gessica me perguntou se eu conhecia a música, e lhe contei minha história com ela, minha conexão, o prazer e a alegria que sinto quando ouço, mais ainda quando danço. É um sentimento profundo sempre.

Nossa guia chamou atenção para os crop circles, na beira da estrada.

Segundo https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADrculos_nas_planta%C3%A7%C3%B5es, “Os círculos no Reino Unido, país onde é registrada a maioria dos casos, não estão distribuídos aleatoriamente por toda a paisagem e aparecem perto das estradas, em áreas de densidade populacional média ou alta, próximos a monumentos do patrimônio cultural, tais como Stonehenge ou Avebury, e sempre em áreas de fácil acesso. Vestígios arqueológicos podem causar marcas em campos com formas de círculos e quadrados, mas eles não aparecem durante a noite e estão sempre nos mesmos lugares todos os anos.

As formações geralmente são criadas durante a noite, embora existam alguns relatos de que surgiram durante o dia. Várias teorias têm sido propostas, desde fenômenos naturais e hoaxes (fake news) feitos pelo homem até extraterrestres, paranormal e até mesmo outros animais. Embora não se saiba por completo o processo de formação de todos os círculos em plantações, a explicação mais plausível, como já dito, é que todos, ou quase todos, sejam feitos por pessoas.”

A verdade é que é um dos grandes mistérios da humanidade a formação destes círculos, que surgem abruptamente, com um nível de detalhes e sofisticação impressionantes, até artisticamente.

São relatadas aparições no Brasil também, no sul do país.

De dentro do ônibus podíamos ver ao longe as formações sobre as plantações que, segundo a guia, não era possível ver melhor porque a colheita ainda não havia sido feita, mas quando isto acontece os círculos ficam bem mais visíveis, embora pudéssemos vislumbrá-los, e eram vários…

Finalmente, ao longe, num imenso campo, lá estava a silhueta tão aguardada, o círculo de pedras de Stonehenge.

Foto: Satya Joy

Era verão, tinha muita gente, muitos turistas, ônibus, movimento. O receptivo é muito organizado, há um centro comercial com serviços básicos e lojas temáticas, daí fomos nos dirigindo ao monumento propriamente dito.

Era inacreditável estar ali… Devido ao grande fluxo de visitantes, em todo entorno do círculo tinha cordões de isolamento que impediam o acesso ao centro do círculo ou tocar e caminhar entre as pedras.

Ao contemplar tudo isso este impedimento nublou rapidamente minha consciência em relação a tudo que ia assimilando ao mesmo tempo.

Eu estava diante e a poucos metros do lugar mais sagrado do mundo para mim. Sua localização é em meio a uma vastidão que se perde no tempo e no horizonte. Aquela imagem sempre me remeteu a antigos, bem antigos ancestrais. Ao vivo e em cores podia sentir nos pés esta pulsação de passos que por ali passaram, dançaram, celebraram, enterraram, choraram, viveram, morreram.

Joyce aproximou-se de mim com seu sorriso que amo tanto e me deu um longo abraço. Um dia ela me disse “nós vamos fazer esta viagem!”…

Senti nossos corações em uníssono celebrando. Uma profunda gratidão instalou-se entre nós. Estávamos muito felizes, em plena epifania.

Fomos caminhando em direção àquelas pedras monumentais, inexplicáveis, que exalavam uma energia que me envolvia completamente, fazendo sentir-me acolhida, aceita, recebida.

Lembrei de minha querida Lize que, por minha influência, esteve em Stonehenge fora de temporada e entrou no círculo. Disse-me que realmente percebeu uma incrível energia que não saberia explicar.

Não entrei lá, mas este fato não empanou o brilho da conquista, do sonho realizado. Tinha muita gente de várias partes do mundo ali naquele momento. Chamávamos a atenção por sermos um grupo de mulheres e um homem, todos de branco, barulhentos e felizes, parecendo crianças quando ganham o brinquedo que tanto queriam no dia de natal.

Espalhamo-nos andando em volta, apreciando a paisagem, ângulos das pedras, senti em mim uma energia monumental. É a palavra que vem. Não sei se dá para entender…

Tinha corvos, muitos corvos, um animal que achei impressionante, imponente e antigo, muito antigo…

Meus sentimentos alternavam-se desde imensa euforia até uma vontade de chorar e rir e dançar.

Foto: Satya Joy

Abraçamo-nos, celebramos, tiramos muitas fotografias. Géssica havia trazido seu equipamento para danças circulares e pedi-lhe que incluísse Madre Tierra, o que ela carinhosamente fez, e me proporcionou um dos momentos mais incríveis da minha vida, celebrar Pacha Mama dançando numa roda de 13 pessoas em Stonehenge, sendo observados, aplaudidos e fotografados por pessoas de várias partes do mundo…

Sentamo-nos no chão em círculo e, naquele momento, profundamente emocionada, sentada com as pernas cruzadas, fechei os olhos e coloquei as palmas das mãos no chão em intensa conexão. Veio com clareza uma lembrança de uma criança, eu, brincando e dançando entre aquelas pedras num entardecer, ouço minhas risadas e as de minha mãe, que cuidava de mim.  Foi mágico.

Ali descobri o que era embriagar-se de felicidade…

Sahwenya conduziu lindamente um ritual de conexão, gratidão, confraternização e celebramos com grande alegria aquele momento.

Parecia que só tínhamos nós ali. Nossa egrégora estava já tão bem estabelecida que facilmente nos conectávamos ali na mesma onda, na mesma frequência… Só que estava cheio de gente para todos os lados e, quando voltamos da nossa viagem no círculo, foi engraçado cair a ficha de que estávamos chamando a atenção, pessoas nos fotografavam, vinham perguntar de onde éramos, se pertencíamos a alguma religião, foram nossos 15 minutos de fama…

Após nos fartarmos daquela energia, do momento, das paisagens a perder de vista que me remetiam, mais uma vez, a uma sensação intensa de dèja vu, fomos aos poucos retornando para o centro receptivo, fizemos comprinhas, tiramos fotos, comemos alguma coisa, o trivial.

Parecia que eu levitava de tanta felicidade. Aspirava profundamente o ar para assimilar toda aquela energia que sentia, a vibração ancestral, memórias que não entendia mas que me faziam bem, exalando sorrisos.

Recebi abraços e beijos muitos, afinal, o sonho de ali chegar que um dia tive foi o que nos levou a viver tal experiência.

O que eu ainda não sabia era que o prêmio, o bônus era muito maior! Ainda havia muita aventura pela frente…

A Meca foi alcançada, agora vamos além…

 

Lição nº 8: Um sonho nunca é tão grande que não possa ser maior ainda… Sonho que se sonha só é só um sonho…

 

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STONEHENGE: CICLO NO INTERIOR DE CICLOS… – Isis de Castro. – da série CONTOS AUTOBIOGRÁFICOS

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